AIEA convoca conferência internacional sobre segurança nuclear
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, anunciou nesta segunda-feira a convocação de uma conferência internacional de máxima importância sobre segurança nuclear, que será realizada no final de junho em Viena.
Amano disse que a reunião terá um caráter político e será focada na crise nuclear na usina japonesa de Fukushima Daiichi. "O nível político é necessário, este é um tema muito importante, isto não é apenas para especialistas ou técnicos", disse.
Ele disse ainda que a situação na usina japonesa, danificada gravemente há duas semanas por um terremoto e um posterior tsunami, continua sendo "muito grave", e que a crise "ainda não foi superada".
"Estamos muito longe de poder relaxar", afirmou o diretor-geral da AIEA, sem entrar em detalhes técnicos sobre o estado atual da situação na usina.
Segundo Amano, o principal objetivo agora deve ser "superar a crise" e realizar um planejamento.
Devem ser convidados especialistas e políticos dos 151 países-membros da agência atômica das Nações Unidas.
A AIEA está sendo duramente criticada pela imprensa e diplomatas por ser muito lerda em sua reação à crise e dividir informações. A agência diz que só pode publicar informações fornecidas pelo Japão e que não tem poder para impor os padrões de segurança nuclear.
COMUNICADA
A AIEA ainda não foi informada pelas autoridades do Japão sobre o vazamento de plutônio do complexo nuclear de Fukushima Daiichi.
Questionado sobre o assunto em Viena, Denis Flory, diretor-adjunto para Segurança Nuclear da AIEA, assinalou que "deve ser plutônio com pureza para reatores que se molda para o reator".
O vazamento de plutônio "significa que há uma degradação do combustível, o que não é uma novidade". "Estivemos dizendo isso de forma consistente durante dias", exclamou Flory, que não deu mais detalhes do assunto.
A operadora da usina nuclear de Fukushima anunciou nesta segunda-feira a detecção de plutônio em cinco pontos da usina, sem especificar onde exatamente.
O reator 3 da central tem como combustível uma mistura de urânio e plutônio conhecida como mox, substância bastante perigosa para a saúde humana.

