Interferência política na Petrobras gera desconfiança no mercado

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Os últimos dias têm sido de especulações sobre o sobe-desce das ações da Petrobras. Após a divulgação de um resultado financeiro 52,3% menor no quarto trimestre de 2011 – em relação ao mesmo período do ano anterior – os papeis da estatal sofreram a maior queda desde a crise internacional de 2008, de 8%, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). No entanto, após um tombo de R$ 28,1 bilhões em um único pregão, a entrada de Maria Das Graças Foster como nova presidente da companhia deu sinais de que poderia acalmar o mercado.

E foi o que aconteceu no dia 13, com a posse oficial da primeira mulher a assumir a presidência da estatal de petróleo. Entre especialistas, o comentário é que o perfil mais técnico de Graça Foster, talhado por mais de 30 anos de carreira na Petrobras, pode impulsionar a companhia a perseguir suas metas.

Entretanto, nem tudo são flores. Somente um controle mais técnico na Petrobras pode não bastar. A governança da corporação ainda é um ponto crítico para que o mercado confie 100% nos rumos da estatal. “Nunca é bom uma empresa de capital privado estar ligada ao capital público”, afirma o analista da WinTrade, Bruno Gonçalves, explicando que entrada de Graça Foster não muda muito as coisas nesse sentido, já que o maior sócio da companhia continua sendo o governo.

Fortalecendo a opinião de Gonçalves, o professor da Universidade Anhembi Morumbi, Osmar Visibelli diz que a diretoria da Petrobras é escolhida por critérios que são, fundamentalmente, direcionados pelo interesse político do governo. “Portanto, presumir que o perfil de Graça Foster possa ser responsável pela recuperação da credibilidade da companhia é, a meu ver, revelar otimismo sem bases concretas”, dispara.

Futuro

“O timing dos investimentos agora não é bom”, analisa Gonçalves, afirmando que acredita em volatilidade dos papeis da Petrobras no curto e médio prazo. Mais para o futuro, no entanto, ele acha que a viabilização econômica do pré-sal pode mudar o panorama.

Na opinião do professor Visibelli, é improvável que as ações de petrolíferas sofram perdas significativas em longo prazo. No caso da Petrobras, ele acha que um otimismo exagerado com o anúncio do pré-sal elevou o preço das ações além da realidade. “Dado o maior conhecimento sobre as dificuldades tecnológicas relativas à extração e transporte do petróleo, o mercado reajustou suas expectativas”, analisa.

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