Estatal admite atraso em início de operação do Comperj
Estatal admite atraso em início de operação do Comperj
Em teleconferência realizada ontem, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, anunciou que a entrada em operação da refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) ocorrerá somente em 2014. Até então, todas as manifestações oficiais da companhia indicavam a inauguração para o decorrer de 2013. De acordo com o informado por Barbassa nas explanações sobre o balanço financeiro da Petrobrás em 2011, apresentadas a analistas do setor e a jornalistas, o chamado "primeiro trem de refino" do Comperj tem o início do funcionamento previsto para setembro de 2014.
Até o fim do ano passado, em entrevistas de executivos e em materiais de divulgação, a Petrobrás mantinha a previsão do último trimestre como o início de produção do Comperj, em construção na área rural do município de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. Embora não seja oficialmente apontado como fator responsável pelo atraso, as sucessivas greves de operários no canteiro de obras atrapalham o desenvolvimento da construção, como disse na sexta-feira passada o diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa.
Greve. Cerca de 15 mil trabalhadores são empregados pelos 20 consórcios que participam do megaempreendimento. Enquanto na quinta-feira a engenheira química Maria das Graças Foster era eleita pelo conselho de administração nova presidente da Petrobrás, parte deles iniciou uma paralisação por melhores salários.
Em novembro, a greve no Comperj foi geral, estendendo-se pelo mês seguinte. As obras pararam inteiramente por pelo menos três semanas. O movimento começou com a participação de 5 mil empregados de quatro consórcios, disseminando-se entre os demais trabalhadores. "Tem coisas que dá para recuperar e tem coisas que não dá para recuperar", disse o diretor de Abastecimento sobre o impacto do movimento na construção do Comperj.
Para Paulo Roberto Costa, não é possível avaliar o reflexo da paralisação no cronograma do Comperj. Ele disse que a Petrobrás não se envolve na busca de soluções para o problema. Em dezembro, 25% do Comperj estava pronto, segundo a Petrobrás. Serão dois trens de refino e uma unidade petroquímica, que deverá estar operando em 2017. Cada linha terá capacidade para processar 165 mil barris de petróleo. A segunda linha está prevista para entrar em operação em 2018.

